Sindserpi - Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Içara e Balneário Rincão

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23 de fevereiro de 2012

Crô dissemina a homofobia na TV

E lá se vai os tempos áureos das telenovelas onde os autores Ivani Ribeiro, Janete Clair, Dias Gomes – garantiam a fórmula de sucesso nos enredos românticos e final feliz dos mocinhos. A sociedade mudou e os folhetins também. Se contribuíram com essa mudança ou criaram novos modelos e valores? Este é outro debate. O fato é que sem perder a receita consagrada, novos conceitos foram conquistando espaço e comercializados nas tramas. A telenovela vende ideologia. O merchandising ora sutil nos produtos, ora explícito nos personagens ditos excluídos por grupos sociais, persuadem o comportamento de quem está do outro lado da telinha. Um desses casos no ar, na novela “Fina Estampa” da Rede Globo, é o gay Crô, interpretado pelo ator Marcelo Serrado. Com técnica na arte digna de elogios, Crô é carregado de estereótipos. Oculto nas suas tiradas de humor “inocentes” reforça o preconceito e dissemina o aumento das agressões contra homossexuais. Crô é caricato – usa e abusa de trejeitos – às vezes vulgar e cheio de afetação. Deixa transparecer seus “casos” amorosos e vida promíscua. Passa a idéia que todos gays são vagabundos, onde não existe aqueles com relação estável, com família, pai, mãe, irmã, emprego fixo onde “rala” desde cedo. Não são brasileiros cumpridores dos seus deveres com a nação, votando, consumindo, produzindo riquezas e pagando impostos. Enquanto entidades travam luta pela igualdade de tratamento entre pessoas do mesmo sexo e fim da discriminação, um do programa favoritos dos brasileiros prejudica com força essa mudança. A homofobia não é considerada crime, e sua presença exposta de forma negativa na mídia, ficam no imaginário e produz mais violência. O escritor e diplomata Alexandre Vidal Porto, mestre em Direito pela Universidade Harvard reflete: É triste, um veículo prestar tal desserviço à consolidação da cidadania. A imagem desrespeitosa que a televisão brasileira difunde dos homossexuais pode dar lucro às emissoras e aos atores, mas causa prejuízo ao Brasil porque solapa os esforços do governo e da sociedade no combate ao ódio e à intolerância. É necessário recordar a noção de responsabilidade social que as redes de televisão têm o dever de preservar.